Arthur Hayes aposta que a privacidade definirá o próximo rumo das criptomoedas, argumentando que o sucesso institucional do Bitcoin abriu espaço para ativos mais controversos, como o Zcash.
O cofundador da BitMEX expôs suas ideias na terça-feira em uma postagem em blog, onde revelou que seu family office, Maelstrom, já construiu uma posição considerável em Zcash e apresentou a privacidade como uma resposta subvalorizada à crescente vigilância estatal e à aplicação de sanções.
“Olhando para o futuro, a narrativa dominante deste ano girará em torno da privacidade”, escreveu Hayes. Ele acrescentou que o Zcash se tornará o “beta da privacidade” e que a Maelstrom “já possui uma quantidade enorme de Zcash a preços excelentes obtidos no terceiro trimestre de 2025”.
Essa posição marca uma mudança para Hayes, que normalmente considerava o Bitcoin o principal beneficiário dos ciclos macro de liquidez, e reformula a privacidade como parte da mesma lógica macro, em vez de uma aposta isolada.
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Hayes relacionou a negociação de privacidade a uma tese mais ampla de que os incentivos políticos dos EUA favorecem a expansão agressiva do crédito, com os preços da energia funcionando ostensivamente como a principal restrição sobre até onde os formuladores de políticas podem levar o estímulo sem provocar uma reação negativa dos eleitores.
Ele ainda apresentou a privacidade como um efeito indireto de déficits persistentes, da pressão para manter as economias aquecidas e de controles mais rígidos sobre os fluxos de capital, com ativos focados em privacidade, como o Zcash, emergindo como um canal adicional para a demanda por criptomoedas.
“A inflação que destrói as chances de reeleição é a inflação de alimentos e energia”, argumentou ele, acrescentando que “o principal indicador para os americanos é o preço da gasolina”.
Isso ocorre enquanto os EUA realizaram ataques na Venezuela e prenderam o presidente Nicolás Maduro antes de seu comparecimento a um tribunal federal de Manhattan esta semana, onde ele se declarou inocente. A medida fez com que os preços do petróleo atingissem brevemente as mínimas dos últimos quatro anos.
“Trump obviamente acredita que, se abrir a torneira, o petróleo jorrará da Venezuela para as refinarias do Golfo do México e a gasolina barata acalmará a população, reduzindo a inflação energética”, escreveu Hayes.
Nesse contexto, Hayes argumentou que os esforços políticos para conter os preços da energia abrem espaço para a expansão contínua do crédito, sustentando o Bitcoin e os mercados de criptomoedas em geral.
“À medida que a quantidade de dólares aumenta, o preço do Bitcoin e de certas criptomoedas disparará”, escreveu Hayes.
Hayes e Zcash
Hayes vem construindo essa visão desde o final do ano passado.
Em um tuíte de outubro, Hayes disse que discutiu Zcash e privacidade com o cofundador do AngelList, Naval Ravikant, durante um jantar, demonstrando interesse inicial antes de divulgar uma posição formal.
Um mês depois, Hayes foi além, afirmando que o Zcash havia se tornado o segundo maior ativo líquido da carteira da Maelstrom, atrás apenas do Bitcoin, marcando a primeira vez que ele caracterizou publicamente o ZEC como uma posição importante para a empresa de investimentos que cofundou.
O Zcash estava cotado em torno de US$ 120 quando Hayes publicou a informação em outubro, e posteriormente subiu para US$ 698 em meados de novembro. A criptomoeda focada em privacidade está cotada a US$ 514 atualmente, com ganhos de 770% no último ano, segundo dados do CoinGecko.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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