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Grayscale descarta queda estrutural do Bitcoin e prevê novos recordes em 2026

Bitcoin já passou por nove recuos significativos desde piso de 2022, uma volatilidade que não foge do padrão de mercados otimistas, diz firma

moeda de bitcoin em meio a fotons dourados
Shutterstock

A Grayscale, uma das maiores gestoras de ativos digitais, avalia que a correção recente do Bitcoin não representa uma queda estrutural e afirma que o ativo tem potencial para renovar máximas históricas ao longo do próximo ano. Segundo a empresa, o movimento baixista observado entre outubro e novembro, com recuo acumulado de 32%, está dentro da média histórica de períodos de forte valorização.

Em relatório recente, a gestora lembra que o Bitcoin costuma registrar ao menos três quedas de 10% por ano e que episódios de retração de 25% a 30% são frequentes em ciclos de alta. Desde que o preço encontrou fundo em novembro de 2022, o ativo já passou por nove recuos significativos, o que, para a Grayscale, confirma que a volatilidade atual não foge do padrão de mercados otimistas.

A análise divide os movimentos de baixa do BTC em dois tipos: os “cíclicos”, mais profundos e duradouros — geralmente associados ao impacto dos halvings e que ocorrem a cada quatro anos — e os “de mercado em alta”, mais curtos e rasos, típicos de fases de valorização. Na visão da gestora, a queda observada neste fim de ano se encaixa claramente na segunda categoria.

A Grayscale também contesta a tese popular do “ciclo de quatro anos”, que sugere que o Bitcoin repetiria alta por três anos seguida de um ano de queda. Para a firma, o mercado atual não apresenta as características que marcaram topos anteriores, como movimentos parabólicos de preço. Além disso, aponta mudanças estruturais importantes na entrada de capital, agora mais concentrada em ETFs e tesourarias de empresas cripto, e não em varejo especulativo.

A empresa destaca ainda sinais de que o mercado pode já ter encontrado um piso. Entre eles, a forte assimetria nas opções de venda, indicando que investidores já protegeram amplamente suas posições, e o fato de grandes veículos institucionais de cripto estarem negociando com desconto, o que sugere baixo apetite especulativo, historicamente prelúdio de recuperações.

Por outro lado, indicadores de fluxo ainda mostram demanda moderada, como queda no interesse aberto de futuros e saídas líquidas de ETPs ao longo de novembro. Dados on-chain também revelam movimentação de “OGs do Bitcoin”, sugerindo vendas pontuais de detentores antigos. Para a Grayscale, a confirmação de um fundo depende de uma reversão nesses fluxos.

No panorama mais amplo do mercado, a gestora relembra que 2025 tem sido um ano positivo em termos institucionais, com avanços regulatórios nos EUA, expansão do mercado de ETPs — agora com 124 produtos listados e US$ 145 bilhões sob gestão — e maior clareza legislativa. Ainda assim, o desempenho dos preços não acompanhou o avanço estrutural: o índice setorial da própria Grayscale acumula queda de 8% no ano.

A gestora observa que a política monetária deve ser um catalisador importante nas próximas semanas. A expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve e a possível mudança no comando do banco central poderiam favorecer ativos que competem com o dólar, como ouro e criptomoedas. No Congresso americano, o avanço de um projeto de lei bipartidário sobre estrutura de mercado também pode destravar uma nova onda de demanda institucional.

Apesar das incertezas de curto prazo, a Grayscale afirma que os fundamentos melhoraram e que os riscos recentes não sinalizam inversão estrutural do ciclo. Para a empresa, os maiores ganhos continuam reservados aos investidores dispostos a manter suas posições no longo prazo.

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