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Bitcoin hoje: BTC cai para US$ 77 mil e acumula perdas de 12% na semana

Queda abrupta do Bitcoin abriu uma rara diferença no mercado de futuros, enquanto pressões macroeconômicas impulsionaram a desalavancagem

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Foto: Shutterstock

Uma forte onda de vendas ao longo do fim de semana levou o Bitcoin ao menor nível em meses, com a criptomoeda tocando US$ 74,5 mil na madrugada desta segunda-feira (2). Desde então, o BTC iniciou uma recuperação e passou a ser negociado a US$ 77.585 nesta manhã, reduzindo a queda diária para 1,7%. Ainda assim, no acumulado da semana, o ativo registra perdas de 12%.

Em reais, o Bitcoin ameaça perder a faixa de R$ 400 mil, cotado a R$ 410.500 no momento da redação, segundo dados do Portal do Bitcoin.

A dimensão da queda do fim de semana fica mais evidente com uma das maiores diferenças nos contratos futuros da CME já registradas, levando indicadores de momento a níveis vistos anteriormente apenas em grandes quedas.

Como o maior mercado de derivativos do mundo, a CME fecha às sextas-feiras e reabre apenas na segunda. Por isso, a desconexão de preços resultou em uma diferença superior a 8% — a quarta maior desde o lançamento dos futuros de Bitcoin em 2017.

Por que o Bitcoin está em queda?

O ambiente mais avesso ao risco vem sendo impulsionado, em parte, por uma confluência de fatores macroeconômicos e geopolíticos.

Entre os principais catalisadores estão o fechamento parcial do governo dos EUA, manchetes sobre guerra comercial, alta nos rendimentos dos títulos do governo japonês de longo prazo e tensões geopolíticas, incluindo a guerra em andamento no Irã e o aumento das fricções no Mar do Sul da China.

O movimento ocorreu durante um período de baixa liquidez no fim de semana, desencadeando US$ 2,56 bilhões em liquidações no domingo, representando a maior liquidação em evento único em mais de três meses.

Desde quinta-feira, as liquidações totais já ultrapassaram US$ 5,42 bilhões, de acordo com dados do CoinGlass. O processo de desalavancagem esvaziou a base especulativa do mercado, com o interesse aberto agregado despencando para US$ 24,17 bilhões, o menor nível em nove meses, conforme dados do CryptoQuant.

“O gap da CME formado a partir desse movimento é um dos maiores desde a liquidação causada pela COVID em março de 2020”, disse Jeff Ko, analista-chefe da CoinEx Research ao Decrypt.

Um gap da CME se forma quando o preço à vista do Bitcoin se move enquanto os futuros da CME estão fechados, deixando uma diferença de preço quando a negociação é reaberta — um patamar que os traders frequentemente esperam que seja revisitado.

Ko observou que, embora a maioria dos gaps da CME tenda a ser preenchida em poucos dias ou até uma semana, o momento para um movimento de reversão média em fevereiro “vai depender fortemente de variáveis macroeconômicas, como os rendimentos dos títulos e o sentimento de risco mais amplo”.

A diferença — situada aproximadamente entre US$ 77.000 e US$ 84.000 — provavelmente funcionará como um ímã para os traders assim que a volatilidade diminuir, afirmou Andri Fauzan Adziima, líder de pesquisa da Bitrue.

“Provavelmente não será fechada nesta semana, com a pressão atual, mas um repique pode empurrar o preço para US$ 84.000 nas próximas semanas se houver um alívio do nível de sobrevenda”, explicou Adziima.

Sinalizando ainda mais exaustão técnica, o Índice de Força Relativa (RSI) semanal despencou para 32,22. No entanto, a quebra abaixo da média móvel de 100 semanas e o surgimento de um “cruzamento da morte” sugerem uma mudança estrutural mais baixista, segundo o analista da Bitrue.

Bitcoin sob pressão

A queda também empurrou o Bitcoin para baixo de um piso psicológico importante: o custo médio dos ETFs de Bitcoin à vista dos EUA, segundo uma publicação de Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy.

O Bitcoin está sendo negociado abaixo desse patamar após registrar a segunda e a terceira maiores semanas de saída de recursos já registradas. A queda também aproximou perigosamente o Bitcoin do preço médio de compra da Strategy, de cerca de US$ 76.000, conforme dados do Bitcoin Treasuries.

“Embora a volatilidade deva persistir ao longo do primeiro trimestre, em meio à contínua incerteza macroeconômica, esse ambiente também pode apresentar oportunidades para acumular Bitcoin a preços descontados”, afirmou Ko, descrevendo o momento atual como uma “desalavancagem saudável”, e não um mercado estruturalmente baixista.

No mercado de opções, a perspectiva segue defensiva. O skew de 25 delta do Bitcoin para 7 e 30 dias caiu para abaixo de -12% e -8%, respectivamente, no fim de semana, sinalizando que investidores estão pagando um prêmio significativo por proteção contra quedas (puts).

“Os traders mudaram para o modo de defesa. As posições em futuros estão diminuindo e as opções mostram forte compra de puts”, acrescentou Adziima.

Enquanto o analista da Bitrue projeta um alvo de US$ 70.000 a US$ 60.000, o analista da CoinEx mantém uma postura conservadora, citando a faixa de US$ 68.000 a US$ 70.000 como uma zona-chave de suporte.

No entanto, Lai Yuen, analista de investimentos da Fisher8 Capital, disse ao Decrypt que os maiores compradores discricionários, como tesourarias corporativas, podem estar “esgotados” no momento.

“O capital especulativo dos participantes de varejo migrou para ações do setor espacial, inteligência artificial e ações de memória”, afirmou Yuen. “É preciso haver um motivo para o capital voltar a girar para os ativos de criptomoedas.”

* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.