O Bitcoin está dando sinais de uma fase mais estável e resiliente, segundo um novo relatório trimestral da Coinbase Institutional e da empresa de análise on-chain Glassnode, divulgado na terça-feira (26).
O relatório “Charting Crypto: 1º trimestre de 2026” afirma que o excesso de alavancagem foi amplamente eliminado do mercado durante a liquidação do quarto trimestre do ano passado, deixando o Bitcoin menos vulnerável a liquidações em cascata e mais bem posicionado para absorver choques macroeconômicos.
Em vez de sinalizar o início de uma nova alta especulativa, a análise sugere que o Bitcoin está se comportando mais como um ativo sensível a fatores macroeconômicos, moldado pelas condições globais de liquidez, pelo posicionamento institucional e por um rebalanceamento deliberado de portfólios.
Os autores descrevem o ambiente atual como um cenário em que a durabilidade importa mais do que a velocidade.
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Essa mudança marca um afastamento dos ciclos anteriores do mercado, dominados pelo impulso do varejo e pelo trading alavancado. Em vez disso, o relatório aponta para uma estrutura de mercado mais disciplinada, sustentada pela liquidez, mas limitada por um posicionamento defensivo de investidores profissionais.
“Acreditamos que os mercados de cripto estão entrando em 2026 em um estado mais saudável, com o excesso de alavancagem tendo sido eliminado do sistema no quarto trimestre”, escreveram os autores. “O ambiente macroeconômico parece sólido, e a política monetária deve ser favorável.”
Um dos principais indicadores prospectivos do relatório é o Índice Global de Oferta Monetária M2, criado pela Coinbase, que, segundo as empresas, historicamente antecedeu o preço do Bitcoin em cerca de 110 dias.
O índice permanece alinhado positivamente com o trimestre atual, sugerindo suporte de curto prazo para a maior criptomoeda do mundo, embora os pesquisadores alertem que o crescimento da oferta monetária deve desacelerar mais adiante no período.
Alavancagem em Bitcoin está desestimulada
O interesse em aberto (open interest) em opções de Bitcoin, por sua vez, ultrapassou o dos contratos futuros perpétuos, com investidores pagando cada vez mais por proteção contra quedas, em vez de adicionar alavancagem direcional — um sinal de que o hedge substituiu a tomada agressiva de risco.
“O cenário de mercado desta semana apresenta um dilema intrigante para traders direcionais e de curto prazo”, disse Farzam Ehsani, cofundador e CEO da corretora de criptomoedas VALR, ao Decrypt. “Com a decisão de juros do Fed, dados de inflação, riscos políticos e tensões comerciais convergindo, o mercado enfrenta fatores imprevisíveis demais para favorecer operações altamente alavancadas ou apostas em alta.”
Os dados on-chain mostram um padrão semelhante.
A atividade do Bitcoin aumentou no fim do ano passado, com as moedas trocando de mãos em um ritmo muito mais rápido, enquanto a parcela da oferta mantida por longo prazo diminuiu levemente — um sinal de que os investidores estavam realocando posições, e não saindo completamente do mercado.
O relatório também constatou que o sentimento dos investidores enfraqueceu desde outubro, passando do otimismo para a cautela e permanecendo contido, conforme indicado por métricas on-chain de ganhos e perdas não realizados.
Em conjunto, esses sinais sugerem que o Bitcoin pode estar entrando em uma fase definida por uma descoberta de preços mais lenta e por vínculos mais estreitos com as condições macroeconômicas.
Ainda assim, os autores alertam que uma desaceleração no crescimento da liquidez, novas pressões inflacionárias ou choques geopolíticos podem testar se a estabilidade recém-adquirida do mercado irá se manter.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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