O Banco Master, hoje no centro de uma crise do sistema financeiro nacional, acaba de entrar em mais uma polêmica. A instituição liquidada pelo Banco Central está no radar das autoridades por sua relação com a One World Services (OWS), empresa brasileira que atua na compra e venda direta de criptomoedas e que é investigada pela Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro para organizações criminosas, incluindo o PCC e o Hezbollah.
Segundo as apurações, relatadas em reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o Banco Master realizou remessas que somam US$ 531 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) para a OWS entre dezembro de 2018 e abril de 2021, período em que o então Banco Máxima (antigo nome do Master) ampliava sua atuação em serviços cambiais.
A investigação aponta que a OWS operava como uma mesa OTC (mercado de balcão) de criptoativos, oferecendo a compra de Bitcoin fora de corretoras tradicionais e com menor grau de intermediação. De acordo com a PF, a empresa utilizou contas mantidas no Banco Master para adquirir criptomoedas em nome de pessoas e empresas posteriormente condenadas por lavagem de dinheiro, sem que fossem apresentados os documentos exigidos à época pelo Banco Central para operações de câmbio dessa natureza.
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As movimentações ocorreram justamente no momento em que o banco passava por uma mudança estratégica. Daniel Vorcaro assumiu o controle do então Banco Máxima em 2018, com aprovação formal do BC em agosto de 2019, antes da instituição adotar o nome Banco Master. Para os investigadores, o banco e outras sete instituições financeiras teriam “fechado deliberadamente os olhos” para a incompatibilidade entre o perfil dos clientes e os valores transacionados.
No conjunto das apurações da Operação Colossus, deflagrada em 2022 e ampliada desde então, a PF acompanha fluxos que chegam a R$ 60 bilhões, sendo R$ 8 bilhões apenas em operações de câmbio.
No caso específico do Banco Master, foram identificadas 331 operações justificadas como aumento de capital de uma offshore da OWS em Miami. Pela regra vigente à época, cada operação exigia uma ata societária comprovando o aporte, mas apenas 15 atas foram apresentadas às autoridades.
Além disso, a finalidade declarada dessas remessas teria sido enquadrada de forma inadequada, reduzindo a carga tributária: operações de aumento de capital pagavam IOF de 0,38%, enquanto compras de ativos no exterior estavam sujeitas a 1,1%. A Polícia Federal também aponta indícios de fraude documental, como atas com datas repetidas ou digitalizadas com poucos minutos de diferença.
A relação entre bancos e a OWS destoava do comportamento de outras instituições. Segundo os autos, bancos como Topázio e MS Bank encerraram vínculos após consultar o Banco Central e identificar falhas na documentação das operações. No exterior, o UBS teria se recusado a abrir conta para o controlador da OWS, José Eduardo Froes Junior, por não aceitar recursos provenientes de transações com criptomoedas.
Relação com o ‘criptoboy’
A OWS é descrita pela PF como um elo central na conversão de recursos de origem criminosa em criptoativos. Um dos casos citados envolve o corretor Dante Felipini, conhecido como “criptoboy”, condenado a 17 anos de prisão em 2025 por lavagem de dinheiro e associação criminosa.
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Segundo a investigação, ele enviou mais de R$ 700 milhões à OWS para a compra de bitcoins em nome de terceiros ligados ao PCC. Interceptações telefônicas também indicariam transferências para carteiras sob sanção do governo de Israel por vínculos com o Hezbollah, acusações que a defesa de Felipini contesta parcialmente.
Procurado pela Folha, o Banco Master afirmou que as apurações administrativas foram encerradas por meio de acordo com o Banco Central, sem reconhecimento de irregularidades, embora o valor da multa não tenha sido divulgado. Já Froes Junior não respondeu aos contatos da reportagem.
Em decisão anterior, o juiz federal Diego Paes Moreira negou pedidos de prisão e sequestro de bens contra o executivo, afirmando que não ficou comprovado que ele tinha ciência inequívoca da origem criminosa dos recursos.
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