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Novo presidente do Fed já elogiou o Bitcoin; veja como ele pode influenciar o setor cripto

Kevin Warsh já disse que Bitcoin é uma reserva de valor como o ouro, mas visão rígida sobre política monetária pode afetar negativamente o setor

Kevin Warsh
Kevin Warsh (Foto: Reprodução/Hoover Institution)

Kevin Warsh, economista que foi indicado nesta sexta-feira (30) por Donald Trump para ser o novo presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, tem uma visão favorável ao Bitcoin. Porém, o executivo ao longo dos anos defendeu uma política fiscal e monetária rígida, o que pode ser prejudicial para o setor de criptomoedas.

As visões de Warsh sobre o Bitcoin foram expostas em 7 de março de 2018, em artigo publicado no Wall Street Journal entitulado “O significado da volatilidade do Bitcoin”. No texto, o agora nomeado à chefia do Fed começa ressaltando que não vê o BTC como dinheiro, por conta da volatilidade do preço que diminui significativamente a utilidade como unidade de conta confiável ou meio de pagamento eficaz. 

“O Bitcoin pode, no entanto, servir como reserva de valor sustentável, como o ouro”, disse Warsh logo na sequência. 

Em outro ponto, o executivo classifica a blockchain como um “avanço significativo” por permitir “de forma engenhosa, que participantes, mesmo sem se conhecerem ou confiarem uns nos outros, concluam transações sem depender de qualquer regime de governança centralizado”.

Visão hawkish pode ser ruim para mercado cripto

Warsh é visto pelo mercado como “hawkish”, termo usado para reguladores do mercado financeiro que tem uma visão rígida sobre controle fiscal e monetário. São economistas com baixíssima tolerância à inflação e que privilegiam juros mais altos para manter o nível geral de preços controlado. 

Um exemplo deixa claro isso: em 2009, durante os efeitos da crise econômica do subprime, com os EUA registrando 0,9% de inflação e 9% de desemprego, Warsh ainda assim queria mais aperto econômico. “Continuo mais preocupado com os riscos de alta da inflação do que com os riscos de queda”, disse ele na ocasião. 

Em entrevista ao portal CoinDesk, Markus Thielen, fundador da 10x Research, disse que o prognóstico para o setor cripto não é bom: “Os mercados geralmente veem um ressurgimento da influência de Warsh como negativo para o Bitcoin, já que sua ênfase em disciplina monetária, taxas reais mais altas e redução de liquidez enquadra as criptomoedas não como uma proteção contra a desvalorização, mas como um excesso especulativo que desaparece quando o dinheiro fácil é retirado”. 

Essa filosofia de rigidez econômica vai contra o pensamento de Donald Trump, que está atacando fortemente o atual presidente do Fed, Jerome Powell, pela relutância em diminuir com mais velocidade os juros nos EUA. 

Por que Trump escolheu Warsh?

O que parece ter motivado a indicação de Trump é que Warsh passou a publicamente criticar os juros altos mantidos pelo Fed, dizendo que, com a política monetária certa, os Estados Unidos terão um boom de crescimento. 

Resta saber se essa visão é uma promessa de campanha ou se Warsh mudou de fato. O mercado vê com desconfiança: “Kevin Warsh foi um hawkish da política monetária durante toda a sua carreira e, mais importante, em um período em que os mercados de trabalho despencaram. Sua postura mais ‘dovish’ hoje decorre de conveniência. O presidente corre o risco de ser enganado”, afirmou a Renaissance Macro Research no X.

Ana Wong, economista-chefe para os EUA da Bloomberg, também se mostra preocupada: “Li as transcrições do FOMC durante a crise financeira global. As declarações dele me assustaram”, disse a analista, conforme aponta a mesma reportagem do CoinDesk.

Juros mais altos, como defendeu Warsh ao longo de toda a sua carreira, tendem a ser negativos para o setor de criptoativos porque elevam o retorno dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados investimentos seguros. Com rendimentos mais altos e previsíveis, esses títulos passam a competir diretamente com ativos de maior risco. Como consequência, parte do capital que antes buscava retornos em ações de tecnologia e criptomoedas migra para instrumentos de renda fixa, reduzindo a demanda por esses ativos mais voláteis.

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