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Drex não irá criar imposto ou aumentar vigilância da Receita, afirma nota de Haddad

Ministro da Fazenda enviou nota elaborada por auditor fiscal para responder dúvidas de deputado federal sobre as mudanças que virão com o Drex

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O Drex não criará novos impostos nem mudará a forma como o governo fiscaliza as obrigações tributárias e as operações financeiras da população. Esse posicionamento foi feito por meio de nota da Receita Federal, enviada no dia 15 de abril pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, à Câmara dos Deputados.

Haddad respondeu a questionamentos feitos pelo deputado Allan Garcês (PP/MA), no Requerimento de Informação nº 175/2025. O parlamentar perguntou: “As operações realizadas pelos usuários [do Drex] poderão ser fiscalizadas por órgãos públicos do governo, tais como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – Coaf? Servirão como base de cálculo para a cobrança de impostos?”

Para responder, o ministro encaminhou manifestações elaboradas por Kiyoshi Avila Matsuda, auditor-fiscal assistente da Receita Federal, que afirmou que a nova tecnologia não altera o atual cenário tributário e de fiscalização no país.

Sobre a possibilidade de criação de um novo imposto, Matsuda esclareceu: “Assim como não há fato gerador de tributo pelo uso de moeda em espécie, também não existe fato gerador de tributo relacionado especificamente ao pagamento por meio do Drex.”

O auditor ressaltou ainda que a base de cálculo dos tributos continua sendo determinada pela natureza do tributo e pelo fato gerador previsto na legislação aplicável, independentemente do meio de pagamento utilizado.

Em relação à hipótese de maior vigilância estatal com a adoção do Drex, Matsuda afirmou que “o uso do Drex não modifica o escopo das ações realizadas pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) para verificar o cumprimento das obrigações tributárias”.

Ele também lembrou que, atualmente, a Receita recebe dados por meio da e-Financeira (sistema que obriga instituições financeiras a reportar movimentações ao Fisco) e da Decred (informações sobre operações com crédito e débito). No entanto, esses sistemas não permitem identificar se uma operação foi feita em dinheiro, cartão, Pix ou Drex — e isso não será alterado com a nova tecnologia.

Governo faz esclarecimentos sobre Drex

Em janeiro, a Secretaria de Comunicação Social do governo soltou uma nota afirmando que o Drex não substituirá dinheiro em espécie e nem servirá para monitorar população.

Segundo o órgão, “é falso que o DREX, moeda digital do Banco Central do Brasil, vá substituir o dinheiro em espécie. A emissão de papel moeda se dá por diversas necessidades e hábitos da população. A versão inicial do Real Digital será uma opção adicional ao uso de cédulas, mas – por ter foco no uso online – seu impacto sobre a demanda por papel-moeda não deve ser relevante”.

Além disso, afirmou ser falso que o Governo Federal esteja criando o DREX para monitorar as transações financeiras das pessoas. “Em desenvolvimento pelo Banco Central do Brasil desde 2020, o DREX obedece princípios e regras previstos na legislação brasileira, em especial pela Lei do Sigilo Bancário e pela Lei Geral de Proteção a Dados Pessoais”, disse a Secretaria.

Deputadas fazem oposição ao Drex

Parte da Câmara dos Deputados tem sido uma grande opositora do Drex. A deputada Júlia Zanatta (PL/SC) quer mudar a Constituição do Brasil para que haja uma disposição na lei maior proibindo a criação de uma CBDC, como são conhecidas as moedas digitais de bancos centrais.

O objetivo dela é interromper o desenvolvimento do Drex, projeto de infraestrutura que está sendo desenvolvido pelo Banco Central, por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

“Com o Drex, cada movimento seu será rastreado, e bastará um clique para bloquearem sua conta ou sumirem com seus recursos — seja qual for a desculpa. Estamos falando de controle total sobre a sua vida financeira!”, afirma Zanatta em um texto de um abaixo-assinado no qual pede apoio da população.

Além disso, em março deste ano, a deputada federal Carolina de Toni (PL-SC) protocolou um requerimento junto ao Presidente da Câmara solicitando que o ministro da Economia, Fernando Haddad, vá ao Congresso dar explicações sobre o Drex.

Para justificar seu pedido, De Toni citou o fato que a primeira fase do piloto do Drex foi encerrada e que o Banco Central apontou que pontos sobre privacidade do projeto ainda não estavam em um estágio satisfatório. 

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