O ouro, tradicionalmente visto como um dos ativos mais estáveis do mercado financeiro, passou a apresentar uma volatilidade superior a do Bitcoin, que por sua vez é visto como um dos ativos com maior risco de variação de preços.
Dados compilados pela Bloomberg mostram que a volatilidade de 30 dias do metal precioso ultrapassou 44%, o maior patamar desde a crise financeira global de 2008. No mesmo período, a volatilidade do Bitcoin ficou em torno de 39%.
A inversão é incomum. Desde a criação do Bitcoin, em 2009, o ouro só foi mais volátil do que a criptomoeda em duas ocasiões, a mais recente em maio do ano passado, durante um pico de tensões comerciais envolvendo ameaças de tarifas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em geral, o metal é associado à preservação de valor, enquanto as criptomoedas carregam o estigma de oscilações abruptas e comportamento mais especulativo.
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O aumento da volatilidade ocorre após o ouro registrar sua maior queda em mais de uma década. Nesta segunda-feira, os preços chegaram a recuar cerca de 10%, tocando brevemente a região de US$ 4.400 por onça durante o pregão asiático, depois de terem atingido máximas próximas de US$ 5.600 na semana anterior.
O movimento marcou uma reversão brusca de um rali que, segundo analistas, havia avançado rápido demais. No fim desta manhã, o ouro havia se recuperado, operando praticamente estável cotado a US$ 4.730.
O sobe e desce do ouro
Nos meses anteriores, o ouro vinha sendo impulsionado por uma combinação de fatores: incertezas econômicas globais, preocupações com riscos geopolíticos, temores de desvalorização das moedas fiduciárias e questionamentos sobre a independência do Federal Reserve. A esse cenário se somou uma forte onda de compras por investidores chineses, que adicionou ainda mais pressão altista aos preços.
O Bitcoin, por sua vez, não conseguiu se beneficiar das mesmas forças. A criptomoeda caiu para o menor nível em cerca de dez meses após uma liquidação no fim de semana, acumulando uma desvalorização superior a 40% desde o pico registrado em outubro. Mesmo em um ambiente de estresse geopolítico, dólar mais fraco e oscilações intensas nos metais, não houve uma rotação relevante de capital do ouro para o mercado cripto.
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Nesta segunda, a maior criptomoeda do mundo opera praticamente estável no acumulado de 24 horas, cotada a US$ 77.980. No ano, as perdas do BTC chegam a 11%.
Apesar da turbulência recente, o ouro segue com desempenho superior. Nos últimos 12 meses, o metal acumula alta de aproximadamente 66%, enquanto o Bitcoin registra queda de cerca de 21% no mesmo intervalo. Ainda assim, o episódio atual reforça que nem mesmo os ativos considerados mais defensivos estão imunes a movimentos extremos, especialmente após ciclos de valorização acelerada.
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