Jeffrey Epstein fez um investimento multimilionário na corretora de criptomoedas Coinbase em 2014, e a liderança da empresa aparentemente tinha conhecimento do envolvimento do criminoso sexual condenado no negócio, indicam e-mails que vieram à tona recentemente.
Epstein fez um investimento de US$ 3 milhões na corretora de criptomoedas em dezembro de 2014, de acordo com um novo conjunto de e-mails divulgado na sexta-feira (30) pelo Departamento de Justiça dos EUA. O investimento foi intermediado para Epstein pelo cofundador da Tether, Brock Pierce, e pela empresa de venture capital de Pierce, a Blockchain Capital.
Os e-mails indicam que Fred Ehrsam, cofundador da Coinbase, tinha conhecimento pessoal de que o investimento estava sendo feito em nome de Epstein. Em uma correspondência datada de 3 de dezembro de 2014, Ehrsam pediu para se encontrar com Epstein em Nova York para discutir o acordo.
“Tenho um intervalo entre meio-dia e 15h hoje, mas, novamente, não é crucial para mim, mas seria bom encontrá-lo se for conveniente”, escreveu Ehrsam. “É importante para ele?”
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Mais tarde naquele dia, o cofundador da Blockchain Capital, Brad Stephens, enviou um e-mail a Ehrsam dizendo que estava tudo certo para avançar com o investimento. Os dados de transferência bancária da Coinbase foram então enviados imediatamente a Stephens e repassados ao assistente executivo de Epstein, Darren Indyke.
O investimento foi feito com a empresa avaliada em US$ 400 milhões, segundo os e-mails. Hoje, a Coinbase vale cerca de US$ 51 bilhões.
O aparente investimento inicial de Epstein na Coinbase também ocorreu mais de seis anos depois de Epstein ter sido condenado, em 2008, por um tribunal estadual da Flórida por aliciamento de menor para prostituição e solicitação de prostituta. A partir de 2008, Epstein era um criminoso sexual registrado.
Ehrsam e a Coinbase não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Decrypt sobre esta reportagem. Brad Stephens, Brock Pierce e a Blockchain Capital também não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
“Negócio premium do setor”
Ao considerar inicialmente se deveria investir na Coinbase em 2014, Epstein aparentemente contou com a experiência de Pierce e também com o aconselhamento do fundador do LinkedIn, Reid Hoffman.
Pierce chamou a rodada de captação de recursos da qual Epstein acabou participando de “o negócio mais premium do setor”.
Quando Epstein entrou em contato com Hoffman perguntando “o quão duro” deveria negociar na rodada de financiamento da Coinbase, Hoffman respondeu que não conhecia muito bem os detalhes internos da empresa.
“Eu provavelmente não entraria”, escreveu Hoffman a Epstein. “Mas posso não estar atualizado sobre notícias internas interessantes.”
E-mails adicionais divulgados na sexta-feira revelaram que Epstein também investiu em outro gigante inicial do setor cripto, a Blockstream. O cofundador da Blockstream, Adam Back, um dos primeiros colaboradores do Bitcoin, reconheceu o investimento de 2014 em uma postagem no X no domingo.
Em 2018, Epstein vendeu metade de sua participação na Coinbase de volta para a Blockchain Capital, de acordo com outros e-mails.
Naquela época, a avaliação da Coinbase já havia alcançado a casa dos bilhões. Epstein vendeu metade de seu investimento inicial de US$ 3 milhões por quase US$ 15 milhões e aparentemente manteve a outra metade de sua participação. Menos de dois anos depois, o financista foi encontrado morto em uma cela de prisão em Manhattan enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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